1 mês e meio depois

Estou há horas nesta página em branco, na verdade para vos ser sincera esta página está em branco desde a última vez que escrevi. Deixada ao abandono, até hoje que resolvi sentar-me e refletir sobre este primeiro mês e meio em Katmandu, agora apelidado de Dustmandu (já vão perceber porquê)

Esta introdução dá a parecer que têm sido tempos difíceis, mas antes pelo contrário. Não tenho escrito, não por falta de tempo, tenho bastante tempo para mim e para as minhas coisas, mas tenho aproveitado o tempo para explorar, estar, conviver e aprender mais sobre esta cultura e estas pessoas.

Tenho aulas apenas da parte da manhã, ou seja, a parte da tarde é inteiramente dedicada a mim, tive que me obrigar a sair e a conhecer (obrigar é só uma expressão porque o que mais gosto é de sair e conhecer o que me rodeia), tenho ido jogar futebol, andar de skate ou então há dias como hoje que fico em casa a escrever ou a ler um livro e convido algum amigo (já tenho alguns) para vir passar a tarde.

Já percorri grande parte da cidade e já visitei a maioria dos templos de Katmandu.

O Terramoto destruiu parte dos monumentos e é visível parte da destruição, a entrada nestas áreas é cobrada aos turistas, portanto a mim não me vão cobrar, se for a pensar cada vez que vou visitar estes sítios ter que pagar 10 euros não dá para me sustentar aqui. Arranjo sempre formas de ‘’sneak in’’ infiltrar-me. (Quem me vier visitar prometo entradas gratuitas e visitas guiadas, estão todos na guest list)

Mas esta estratégia de infiltrar-me chegou a outro nível, há umas semanas atrás fui com as minhas alunas ao templo Pashupatinath, conhecido pelas cremações dos corpos. A entrada dentro do templo é estritamente exclusiva para Hinduistas, mas eu queria entrar e elas queriam que eu entrasse. Então, umas das minhas alunas emprestou-me uma Curta (veste típica), umas pulseiras típicas e eu coloquei os óculos de sol para não verem os meus olhos. Foi arriscado na verdade não sei o que me poderia ter acontecido, mas nada demais certamente seria apenas expulsa. A entrada era reforçada mas eu simplesmente confiei que era uma Nepalesa, entrei e imitava exatamente as minhas alunas a rezar, sem desrespeito algum, mas foi uma experiência super interessante e única. Ficará na memória porque era proibido tirar fotos lá dentro.

Dustmandu- A cidade foi apelidada de tal forma porque cada vez que saio à rua tenho que usar a máscara, a poluição é terrível nomeadamente o pó (Dust).

Tenho que escrever mais mas perco-me nos dias e deixo para ”amanhã”, Katmandu já é casa, já conheço os vizinhos, o senhor dos legumes, o que me carrega o telefone, o dono do supermercado Blue Moon, os dealers que vendem haxixe em Thamel, o Bairro Alto de Katmandu, (não porque consuma mas porque vou lá muitas vezes e já me conhecem), os empregados do restaurante em frente à escola e incrivelmente já me acontece cruzar-me com amigos na rua e oferecem-me boleia até casa.

Já há algumas peripécias obviamente e já soltei muitas gargalhadas à conta do caos que aqui por vezes se vive!

Estou cá até final de Novembro por isso ainda há muito para viver!

Há imagens valem mais que mil palavras por isso aqui vão algumas imagens do meu dia-a-dia em Katmandu:

21.08.2017

Marta Durán

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