Hector o condutor maluco

São 14h48 e estou neste momento sentada num Macdonalds em Brno, na Republica Checa. Parti hoje de Budapeste em busca de boleia, eu e a Mafalda.

Após um metro e um autocarro estávamos na estação de serviço de polegar esticado e com um papel a dizer Gyor. 20 minutos e pára uma carrinha. Troca de gestos e nomes de cidades, vai para BRNO!!!

Pulámos de tanta alegria, saiu-nos a sorte grande quase 300 km de caminho apenas com 1 boleia… lugar certo à hora certa.

Hector, não falava inglês, gostava de música, alta, muito alta.

Gostava ainda de meter o pé no acelerador, e de ultrapassar a toda a hora e não parava com o cu no banco, estava-se sempre a baloiçar.  Protestava com todos os outros condutores, eu na minha cabeça apenas imaginava o que ele dizia:

‘’Car**** sua besta, tiras-te a carta na farinha amparo??? DEIXA-ME passar!!’’

ou então,

‘’Sua va*** estou com pressa não vês, SAI JÁ!!’’

Felizmente os travões funcionavam, ele fez questão de fazer uma paragem brusca para nós confiarmos, fui à frente e voltei! Fiu…

Só me podia rir com a situação, ele era maluco, se não os podes vencer junta-te a eles. E assim foi! Dancei e cantei que nem uma parva, já sou profissional em charadas e sei traduzir na perfeição o que ele me transmite!

Cheguei viva e com boa saúde, um bocado zonza de tanta ultrapassagem, mas está tudo bem!

21/11/2016

Marta Durán

Anjo vindo do céu

‘’Hello,Hello, Hello the airport is already open you can’t be sleeping’’ Foi assim que nos acordaram, eram 6h45. Até dormi bem! Arrumámos tudo e lá fomos.

Para ir para o centro de Veneza tínhamos que apanhar um autocarro que custava 12 euros, o mesmo preço que o voo. Não achei piada nenhuma. Sentámo-nos a tentar resolver a situação. Até que após meter conversa com uns latinos (que também pernoitaram no aeroporto) eles surpreenderam-nos com 2 bilhetes que tinham comprado no dia anterior, mas tinham perdido o autocarro… Isto é a sério? Fui ver se funcionava, afirmativo! Acabámos de poupar 12 euros cada!!! Mas que sorte dos diabos.

‘’Veneza é muito caro’’ ouvi eu um número inestimável de vezes, ou escolhi os melhores sítios para se comer ou então não sei.. o café foi dos mais baratos que paguei na europa 1 euro (era um café dos chineses, estão por todo o lado)

Percorremos Veneza de mala às costas, não foi a típica viagem romântica, mas divertimo-nos imenso! É de facto uma cidade diferente que vale a pena visitar, quem tiver possibilidades deve andar na gondola que custa 80€, nós vimo-las passar e realmente nas fotos ficam muito bem.

Liubliana

Capital da Eslovénia, choque inicial foi o sinal: CONA. Peço desculpa aos mais sensíveis mas grandes risadas que este sinal proporcionou!

Até já Liubliana

Depois de 1 hora à espera que alguma alma caridosa parasse e nos levasse para Bled heis que aparece o, Zyeka a boleia que foi tudo menos normal, primeiro tudo ele ia em direção a Trieste (Itália) que era para o lado contrário, disse que nos deixaria numa estação de serviço até que tudo era uma ‘’shit’’, Nada era bom a auto-estrada, a estação de serviço NADA! Então pronto decidiu deixar-nos em Bled, fez mais 70 km para nos deixar e depois ia voltar tudo para trás!

Foi a boleia onde mais me ri, falava pelos cotovelos, era um business men, vendia bugigangas na praia e a lojas, diz que trabalha 5 meses por ano e os outros 7 meses viaja. Tinha acabado de chegar da China e só sabia dizer mal de tudo e asneiras na verdade. Ri-me que nem uma doida!

Lá chegámos e o Zyeka fez o favor de nos pagar um cappuccino, e disse para não pouparmos o dinheiro dele! Tinha a constante mania de falar comigo e dar-me cotoveladas ao mesmo tempo, só me podia rir. Obrigada Zyeka vemo-nos em Portugal ou algures.

A nossa boleia!

Lago Bled: Palavras para quê?

Recebi uma mensagem, a pessoa que nos ia acolher em Bled cancelou à última da hora…. E agora?  Voltamos, e ficamos em casa da minha amiga! Ok boa!

Lá vamos voltar para Liubliana, paragem rápida! O Simon esteve 2 dias num congresso na zona e estava naquele preciso momento a voltar para casa.

Bem e que boleia esta, o Simon esteve 2 anos e meio a viajar pelo mundo com a sua mota… histórias incríveis, neste momento trabalhava diz que não tem tempo para nada é ”workaholic” e tem que mudar algo na sua vida. 1 hora tal de conversa e não resisti em pedir o contacto!

Deixou-nos no centro da cidade.

2º problema, afinal não podemos ficar em casa da minha amiga. E agora? Bem ou dormimos na rua ou não sei, tentei contactar amigos e nada…. Até que recebo uma mensagem do Simon a perguntar se tínhamos chegado bem. Cá está a nossa solução. Disse-lhe que não tínhamos sitio para ficar e imediatamente ofereceu-se, apenas tínhamos que ficar à espera dele 3h! E assim foi!

Foi um ”Anjo vindo do céu”

Um mega jantar com tomate e mozzarella a acompanhar com um vinho esloveno! Partilha de experiências e viagens… Fiquei com vontade de agarrar na minha scooter e percorrer o mundo.

Mil Obrigadas Simon 

17/11/16

Marta Durán

Dormidas loucas

Nem sei por onde começar, depois de Leiden partimos em direção a Rotterdam onde apanhámos uma boleia  de um senhor muito simpático com um riso histérico e muito característico.

Deixou-nos à porta do nosso host.

Já tinha todas as indicações deixadas por Hans (o host). Disse que provavelmente não estaria em casa quando chegássemos então escreveu:

‘’ Vou deixar as chaves numa frecha em cima da porta de entrada. Podes tirar as chaves e abrir a porta. Sobe todas as escadas e quando chegares caminhas para a direita. O segundo quarto do teu lado esquerdo é para os couchsurfers‘’

E assim foi, senti-me num filme a ir passo a passo à descoberta do tesouro.

E fiquei impressionada com o ‘’hostel’’ que o Hans ali criou.

Abri a porta do quarto e Miguel, outro Couchsurfer recebeu-nos com um sorriso!

Olho em volta e estou numa casa com 2 andares onde o 1º era só para nós, com 1 casa-de-banho, 1 duche, 1 cozinha e 1 quarto com uma cama de casal e 4 colchões espalhados pelo chão. Bem o que vos parece? Para mim serve.

Desarrumação total e a limpeza não estava nos trincos mas é perfeito.

Passei 2 noites, conheci o Kofi do Gana que estava lá a estudar e que ainda me proporcionou uma grande conversa. Lá o espero em Portugal com casa garantida claro! (Se por lá andar)

Esta estadia acabou comigo a acordar picada por ‘’bed bugs’’, ou seja, percebejos mas não soa tão bem. Pois a vida tem destas coisas!

Era para verem o quão aquilo estava limpinho, não faz mal está tudo bem, há coisas piores.

Lá vamos nós para Eindhoven!

(Placar na mão, sorriso na cara e muita palhaçada)

Desde um rapaz da Republicana Dominicano até a um Sr. Policia muito simpático que prometeu não me algemar.

Lá chegámos.

”Acampámos” nos Macdonalds a roubar wifi e electricidade até às 5h da tarde.

Até que aparece  o nosso novo host, Willem 23 anos (parecia ter 30 anos) barba grande e barriguinha.

Entrámos no carro (Se posso chamar de carro estava tudo sujo e rangia por todos os lados)

O melhor está para vir….

Entrámos na sua casa que era, portanto, um edifício abandonado da Philips.

Fiquei pasmada! Mais outra situação de filme.

A entrada eram portas giratórias, uma recepção do lado direito, mas estava tudo vazio e escuro apenas haviam bicicletas e 1 skate.

Subimos para o 1º andar e ele morava num antigo escritório!

Paga 210 euros de renda com tudo incluído, tem um quarto espaçoso e desarrumado cheio de colchões para os couchsurfers, uma cozinha nojenta e uma sala com garrafas de cerveja por todo o lado! Dizia ele que até estava arrumado.

É designer e eu só pensava que grande artista que este me saiu.

Havia desenhos espalhados por todo o lado e no meio de tanta confusão fiquei apaixonada pelo lugar e imaginei-o à minha maneira.

Uma pequena visita guiada pelo edifício:

1 zona de cinema

1 discoteca com bar, luzes e máquina de fumo

1 sala de jogos com matrecos e bilhar

1 casa de banho

1 duche

E todo um edifício livre para correr, pintar e inventar.

Era incrível ainda lá estavam 2 elevadores parados. Só pensava como aquilo um dia foi um local de trabalho e hoje é um abrigo para 15 pessoas.

Nos entretantos Willem foi buscar 2 rapazes à estação e quando entram pela porta vejo uma bandeira Portuguesa! Só digo ‘’ Não acredito!!!’’  com o maior sorriso! 2 beijinhos, apresentações feitas, conversa puxa conversa já temos amigos em comum! Como a Mafalda diz ‘’O mundo é um bidé’’

Encontrar viajantes portugueses com o mesmo modo de viajar é incrível!

No dia seguinte acordámos e partilhámos a comida como irmãos e fomos descobrir a cidade juntos.

O gangue dos tugas, ia eu com uma bicicleta chopper a mandar estilo, sorrir e acenar para os carros que passavam.

Em Holanda, sê Holandês mas com estilo.

Risada atrás de risada e muitas histórias de viagens! Passei um dia mega divertido com o Renato e com o Leandro.

Com certeza foi um até já ‘’meus putos’’.

Agora já vos escrevo de Veneza. Avião a 13 euros é para aproveitar, e por aqui vou ficar a dormitar. Saco de cama aberto, chão já meio aquecido, almofadinha enchida e estou pronta. Os hotéis em Veneza são todos muito caros!

O bilhete de avião pelos vistos vinha com estadia incluída.

Arriverdeci.

12/11/2016

Marta Durán

Deve ter muito dinheiro!

Não vos julgo, eu própria achava que quem viaja é porque só podia ter muito dinheiro.

E na verdade há quem viaje com muito dinheiro para gastar, mas eu não sou assim, além de não poder não tem tanta piada.

Cá eu não sou rica, aliás sou, mas não nas minhas economias. Desde sempre aprendi a poupar, aniversários, Natal, Páscoa, dia da criança, na verdade tudo era desculpa para receber prendas, e eu aproveitava sendo a única coisa que queria receber era: Dinheiro e chocolates. Nunca ninguém sabia o que me oferecer, então o mais fácil era sempre dinheiro.

Poupava sempre com algo em vista, nunca gostei de pedir  à minha mãe, tentei sempre arranjar maneira de ter algum dinheiro, fiz figurações (sim ia bater palmas para os programas da manhã) e ainda trabalhei num café .

Isto para dizer que sempre fui muito poupadinha.

Os meus amigos já me conhecem, não gosto de gastar dinheiro porque estou sempre a pensar na próxima viagem, e cada almoço fora é no mínimo menos 1 dia de viagem. O primeiro passo é esse mesmo, fazer escolhas no nosso dia-a-dia, levar almoço de casa, não ir jantar tantas vezes fora, deixar alguns vícios de lado.

Durante o último ano estive a trabalhar nos tuk tuk em Lisboa, enquanto estudava ganhava uns trocos, guardei cada cêntimo no meu porquinho migalheiro (como diria a minha avó Maria), e conseguir criar um bom fundo de maneio para uma possível viagem…

Neste momento em viagem há 3 semanas e 2 dias e ainda não paguei nenhuma estadia, agradecendo desta maneira aos amigos espalhados pela Europa e aos hostsurfers, o transporte como já sabem é sempre em boleias, Alimentação? Bem por vezes fecho a boca e não se come, outras vezes as pessoas genuinamente oferecem comida e outro facto que tem ajudado na carteira é a opção de comer vegetariano. Uma mudança que optei por fazer nesta viagem, pelo menos ir tentando. E da qual estou muito orgulhosa pelo progresso que fiz.

É preciso pouco para viajar em “low budjet”, tenho um orçamento diário de 5 euros, na verdade é raro gastar 5 euros por dia. Gasto mais em Lisboa do que em viagem.

Incrivelmente onde tenho gasto mais dinheiro é em cappuccinos, não peço café porque é o mesmo preço e pelo menos o cappuccino tem mais quantidade! É uma bebida quente que dá acesso ao wifi e me protege do frio exterior.

Com este post pretendo transmitir que não é preciso ser milionário para viajar, para explorar e para saborear desta maneira a vida. É preciso esforço sim, bastante, não é tão fácil como parece. As boleias são muito giras, mas quando se tem que esperar 2 horas por alguém ao frio também desmotiva, dormir poucas horas, andar ao frio a visitar a cidade de mochila às costas também é brutal mas cansa, ao fim de vários dias ando exausta, mas sabe bem este cansaço. Longe do conforto da nossa cama, dos nossos amigos e da nossa família… Nem tudo é fácil. Mas o fruto final vale a pena.

Por isso poupem e venham.

”Travel is never a matter of money but of courage” 

11/11/2016

Marta Durán

‘’Há coisas que só podes fazer por ti própria’’

“Tenho a certeza de que hoje somos senhores do nosso destino, que a tarefa que temos perante nós não está acima das nossas forças; que as dores e dificuldades não estão para lá das nossas capacidades de resistência física. Enquanto tivermos fé na nossa própria causa e uma indominável vontade de ganhar, a vitória não nos será negada.”

 Winston Churchill

Vou voltar ao momento da partida, aliás do antes da partida.

-Acabei o curso;

-Trabalhei nos tuk tuk para juntar dinheiro;

-Fui para Cabo Verde em voluntariado;

-Fiz os Caminhos de Santiago, em busca de respostas;

Sim, realmente estive bastante ocupada, até que assentei… e quando isso aconteceu vi-me sem saber o que fazer, com toda a gente nas suas rotinas de faculdade ou estágio/trabalho e eu a bater com a cabeça nas paredes (literalmente).

Os 3 anos da Faculdade foram de longe os melhores, conheci pessoas incríveis integrei num grande projeto, fiz um intercâmbio e uma viagem que são de invejar e não parei. Nem tudo foi fácil, nunca é.

Vi-me em Setembro de 2016, depois de um ano memorável, perdida, ‘’sozinha’’ e sem grande visão para o futuro.

Tomei a decisão de agarrar esta oportunidade e torna-la em algo muito bom, pelo menos tentar. Há dias mais difíceis que outros, claro, e esta viagem tem sido uma escola onde consigo ser aluna e professora, é uma constante aprendizagem, sobre o ‘’eu’’ e sobre as pessoas que se cruzam no meu caminho.

Já alguém me escrevia:

 ‘’Há coisas que só podes fazer por ti própria’’

E se há, e nunca nos podemos esquecer que ‘’quando se fecha uma porta, abre-se outra’’, o caminho é incerto e demorado, mas faz parte. Se fosse fácil não tinha piada não é?

E sabem? só quem procura encontrará; 

(Vamos lá ver o que encontro)

2 semanas e pouco. Para ser mais precisa 20 dias. 50 euros gastos. 2,50€ em média por dia, com 1 voo marcado.

Lausanne, Konstanz, Munique, Salzburgo, Pfrozheim, Frankfurt, Maastricht e agora Zwolle.

Viagem feitas de encontros e reencontros. ‘’Encontros marcados’’ como diria Gonçalo Cadilhe.

As conversas começam sempre da mesma maneira, um Olá com um sorriso curioso, perguntas como: O que andas por aqui a fazer sozinha? O que estudaste? Não tens medo? E depois da viagem?

E acabam com um abraço ou um forte aperto de mão dizendo: ‘’good luck!’’

Durante esta viagem tenho aprendido o quão incrível é confiar nas pessoas, elas surpreendem-nos de uma forma que eu desconhecia… Alteram os seus planos, as suas rotas e disponibilizam o seu tempo para mim e indiretamente para elas, porque desabafam e conhecem outra história de vida, a minha.

Hoje à espera de uma boleiazinha numa estação decidiram oferecer 2 iogurtes, o que me ri… só pensei será que pareço assim tão sem-abrigo? Mas afinal de tudo foi só bondade para com duas jovens viajantes. Depois desta oferta, numa boleia onde as conversas foram sobre economia, ordenados e café, e onde eu Marta que adora café e é provavelmente onde gasto mais dinheiro nesta viagem, disse que aqui era impossível pagar 2,50€ cada vez que queria satisfazer este desejo, o amigo no final da boleia deu-me em dinheiro o valor de 2 cafés Holandeses (para mim e para a Mafalda)… não é isto incrível?  E lá os gastei num delicioso cappuccino.

Obrigada, aos desconhecidos que se tornaram conhecidos.

Obrigada, a todos os que me acolheram.

Obrigada, às boleias.

Obrigada, aos amigos e família.

07/11/2016

Marta Durán

Salzburg & Couchsurfing

Plano bomba, portanto tenho que estar em Pfozheim só na Segunda-Feira, e é Quarta-Feira. Ficar em Munique tanto tempo não é para mim, pensei. Vou só ali a Salzburg e depois volto tudo para atrás, afinal de tudo não pago o transporte.

E assim foi, em Salzburg não tinha ninguém então optei por usar a ferramenta Couchsurfing , felizmente tive uma resposta positiva num instante!

Casa: check 

Pus malas às costas na Quinta-Feira de manhã e lá fui eu.

A sorte está sempre à minha porta, as boleias têm sido fáceis de apanhar com pessoas muito simpáticas que me deixam no destino mesmo tendo que fazer um pequeno desvio.

Cheguei a Freilassing, cidade que faz fronteira com Salzburg que é a minha casa nos próximos 3 dias. Hans o meu hostsurfer foi-me buscar ao Macdonalds de carro mesmo morando apenas a 500 metros!

O Hans, neste post vou falar muito dele, foi o que ”fez valer a pena” a ida a este cantinho da Austria.  Com os seus 63 anos, com mais de 200 pessoas recebidas em sua casa e mais de 40 países visitados é um amor de pessoa, dá tudo o que tem aos seus ”guests”.

Na primeira noite vimos um filme, nada percebia porque aqui na Alemanha é tudo dobrado, mas a companhia era o mais importante.

Deu-me a chave e fez-me sentir em casa, e estava sempre a dizer ”If you don’t ask you don’t get” (Se não pedires não terás).

Acordei, tinha pão fresco à minha espera na cozinha, com fruta e 2 barras de cereais… incrível. Tomei o pequeno-almoço e saí para ir desvendar a cidade.

Uma pequena cidade conhecida pelo nascimento de Mozart e que na verdade parece feita de legos como já dizia uma amiga minha.

Subi, Subi e Subi até chegar ao topo da colina quando sou maravilhada por estas montanhas que me cortaram o ar, deitei-me na relva fechei os olhos e aproveitei aquele sol de inverno.

Sábado

O Hans levou-me a passear disse-lhe que queria ir ver natureza que já estava farta de cidade, ele sem hesitar disse que me levava a uma mina de sal e depois íamos a um lago, Konigsee. Não há palavras para descrever esta bondade, depois de um mega-pequeno almoço lá fomos!

Esta imagem vale por mil palavras!

Danke Hans!

29/10/2016

Marta Durán

Munique

Ter amigos espalhados pela Europa e pelo mundo tem as suas vantagens, desta vez foi a Vera que teve a sorte de me aturar, aliás eu é tive a grande sorte de ter a Vera para me receber. ‘‘ Claro que podes vir fica o tempo que quiseres” quem nos recebe assim palavras para quê?

Bem, não sou muito boa a falar sobre a história de cidades e acho que isso realmente só interessa para quem lá passa, prefiro perder-me nas ruas e absorver o que esta tem para me dar. E Munique surpreendeu-me com os espaços verdes, passei mais tempo sentada nos jardins do que a olhar para os monumentos rodeados de turistas e asiáticos a tirar selfies.

É uma cidade bonita de facto é, e grande, eu que o diga que a percorri toda a pé.

Daqui levo as cores do outono, o surf no lago, os espaços verdes, o bretzel, e Dachau

Campo de concentração de Dachau

Pois é tive a oportunidade de ir visitar este campo de concentração que foi o modelo para os outros campos construídos. 31 951 é o número de pessoas que ali perderam a vida, pelo menos o número registado.

Acho que não há palavras para descrever o que é estar num sitio destes.

É absorver o silêncio e imaginar… se for preciso chorar, que se chore.

Obrigada Vera pela estadia, simpatia e companhia. Até breve.

27/10/2016

Marta Durán

Konstanz, uma espécie de abrigo

Antes de falar de Konstanz vou-vos falar da Rita. A Rita é uma amiga que conheci no GASTagus (grupo de voluntariado), e como hei de começar a descrever esta rapariga? Uma pequena grande Mulher, aventureira, perseguidora de sonhos, apaixonada, sorridente sim aquele sorriso impossível de esquecer, e uma paz interior que me contagia. Bem, esta é parte da Rita, mas não há palavras que a descrevam só tendo a sorte de a conhecer.

Ela não sabe, mas, antes de decidir fazer esta viagem, a Rita foi das primeiras pessoas a quem recorri, sabia que me ia aconselhar e acalmar ‘’Miúda relaxa, vai correr tudo bem’’ disse. Após trocar umas palavras, decidi marcar a viagem, procurei de Lisboa para ‘’Qualquer destino’’ e calhou ser Genebra o destino mais barato para a semana a seguir, 39 euros foi o preço do bilhete.

Talvez seja o destino ou simplesmente coincidências da vida, era onde a Rita estava a viver de momento.

Bem, voltando a Konstanz, uma cidade na fronteira com a Suíça, aqui estava a Rita de passagem a visitar um amigo, convidou-me para passar uns dias com ela e com o pessoal, e assim foi.

Cheguei, recebida pelo sorriso e um abraço acolhedor da Rita, fomos para ‘’casa’’. Estava mega cansada e a ficar doente, felizmente hoje era dia de ‘’cuddling’’, han? Sim também fiquei assim, fomos ver um filme com o Mauro e a … quentinhos, e juntinhos e isto se chama ‘’cuddling’’, estão a imaginar? Uma cama, quente, almofada, manta e uma bruta de uma constipação… obviamente que adormeci e soube pela vida.

Foram 3 dias em paz, em desabafo e rodeada de pessoas com boas energias.

No segundo dia fomos para as montanhas, eles foram escalar e fazer highllining… e ainda dizem que eu sou maluca!

Ficámos lá o dia todo, estava um sol de inverno acolhedor, dormi, relaxei, escrevi e li, aliás acabei de ler ‘’Encontros Marcados’’ de Gonçalo Cadilhe oferecido pela minha grande amiga Capella, e de facto os encontros que estavam à minha espera tem sido surpreendentes e espero que continuem a ser. Há dias que nos preenchem e que nos deixam mais calmos e este foi um deles.

Assim terminava esta minha passagem por este cantinho do mundo, Constança (em Português).

Obrigada à Rita pelos desabafos, pelas lágrimas, pelos risos e maluqueiras espero encontrar-te por aí, algures…

O que torna os sítios especiais são as pessoas.

Já de saída, mala às costas, despedidas feitas… fomos em direção ao supermercado comprar comida para a viagem, pão, fruta e água.

UPS!! RITAAAA, ESQUECI-ME DE 4 CUECAS NO ESTENDAL!! – disse eu mega preocupada

Temos que voltar? Tens muitas cuecas ainda? – Responde Rita calmamente

Epah…. devo ter outras 4 … mas não chega tenho mesmo que voltar… mil desculpas– respondi eu mega preocupada

Tranquilo, Marta, não faz mal as cuecas são importantes! – Diz Rita calmamente

Voltámos num pronto e metemo-nos à estrada com as cuecas já na mala.

Apanhámos o ‘’free’’ bus, incrível como tudo é grátis, até ao ferry. Já no ferry, com um cartaz a dizer Munich, percorríamos carro a carro a sorrir e a mostrar o nosso destino, já tínhamos passado todos os carros e a esperança era escassa. Até que numa carrinha com 2 homens lá dentro, vemos um fixe! E que alegria eles iam diretamente para Munich eram quase 3h de viagem.

A Rita ia para Kempten que ficava antes de Munich mas veio connosco atrás na carrinha!

Eram motars, o Woolf e o Mike, cobertos de tatuagens ‘’sangre por sangre’’ dizia na mão de Mike. Já tinham visitado Portugal nas suas viagens à volta da Europa com as suas Harleys Davinson, obviamente que gostarem do vinho do Porto, e Sagres (a cerveja).

Foram 3h de conversa sobre tudo, viagens, motas, cerveja e até sobre droga!

Deixámos a Rita pelo caminho, um abraço apertado e um até já.

Chegámos, um abraço forte e vemo-nos por aí algures na estrada.

HELLO MUNICH! A Marta chegou!!

24/10/2016

Marta Durán

Boleias de Sorte

Eram por volta das 9h30 quando saí de casa com a Maria, após uma longa conversa deixou-me na estação de serviço, em direção a Bern. O meu destino final era: Konstanz a 300 km de Lausanne.

Estava sozinha pela primeira vez a pedir boleia, já o tinha feito algumas vezes mas sempre acompanhada e distâncias mais curtas.

Curiosamente não estava com receio, não havia aquela adrenalina a correr-me pelo sangue. Bern era o que estava escrito no cartaz. Nem dez minutos esperei, um Jaguar pára à minha frente e faz sinais de luzes, pulei de alegria.

Era Gui, na casa dos 60, ia para Basel mas passava por Bern. Falámos pouco, o meu francês não é perfeito e dificilmente dou grandes respostas. Ele era arquitecto e fazia aquele caminho todos os dias (pelo menos foi o que eu entendi). Foi uma hora e pouco de caminho com conversas em francês básico. Às vezes pergunto-me porque é que não tomei mais atenção às aulas…

Deixou-me noutra estação de serviço, desta vez em direção a Zurich. O próprio escreveu o destino no cartaz e surpreendeu-me com uma nota de 10 francos (aproximadamente 10 euros) para eu tomar um cappucino…. Não há palavras! Dá-me boleia e ainda me dá dinheiro? OH GUI!!! MERCI BEAUCOUP !!!

Ok Marta! 1ª etapa já está e até foi fácil, pensava eu.

Menos de 10 minutos e pára outro carro, desta vez um Audi desportivo branco todo Xpto.

Hey! Going to Zurich? – disse eu com um sorriso

Yes, come! – Responde Stephen

Mochila para a bagageira e mais uma boleia. Vruummmm, faz o carro… e eu que nunca tinha andado num carro tão potente!

A conversa fluía num bom inglês, o Stephen nasceu na Alemanha mas trabalha em Zurich. Diz ter sido uma coincidência pois nunca passa por ali. (Mas a vida é feita de coincidências pensava eu). Tinha ido a Bern tratar do visto para ir para a Macedónia onde possui uma mina de Zinco! (UAUUU, pensei eu). As conversas rondaram as minas, viagens, e da história da vida dele, como evolui e com 33 anos tem uma empresa e viaja pelo mundo a fechar negócios e na procura de novas oportunidades.

Já tinha estado em Portugal, propriamente na mina de Aljustrel, para um possível investimento mas pelos visto não era rentável.

Disse-lhe que era recém-licenciada em comunicação social e que durante a viagem além de conhecer vinha à procura de oportunidades, de imeadiato disse que tinha um amigo que ao qual poderia ligar e enviar o meu cv, bem dito bem feito, naquele momento ligou ao amigo. Resumindo a chamada: Vou-te enviar o currículo de uma amiga para um estágio, não fala alemão mas fala inglês.

(Vamos ver no que isto dá pensei eu)

Conversa puxa conversa e a viagem passou a voar. Quase a chegar convida-me para almoçar, diz nunca ter tempo e já que tinha companhia (boa obviamente). Aceitei, acho que aprendi a aceitar o que é dado de bom grado, deixemos-nos de cortesias.

Fomos a um restaurante Vietnamita, quem me conhece sabe que sou esquisita, mas também ando a aprender a por a esquisitice de parte. Spring Rols enrolados em alface, comi tudo e estavam bem bons! Já estava cheia mas faltava o prato principal, Noodles Fritos com frango, e que saudades da comida Asiática! Não consegui comer tudo pedi Take-Away era da maneira que tinha jantar. 2 em 1.

Deixou-me num sítio péssimo para pedir boleia, os carros não tinham espaço para parar, estava imenso frio e a chover, felizmente estava debaixo de um viaduto.

No meio deste ambiente perdi a esperança, mas também pouco esperei talvez 30 minutos, quando um maluco pára o carro (Fiat Punto), os outros carros apitavam eu nem percebi para onde ia, simplesmente entrei! O inglês dele era básico, era carpinteiro, estava com umas calças pintadas e tinha mãos de trabalhador. Guiou-me durante 20 minutos, deixou-me numa rotunda em direção a Winterthur (cidade perto de Konstanz). Aqui fiquei 10 minutos até aparecer um senhor num BMW, trabalhava como distribuidor… mais 20 minutos de viagem e deixou-me na saída para o destino final.

Saí e em menos de 1  minuto para um bruto de um Mercedes! Mala para o porta bagagem e rumo a Konstanz!!! Era um rapaz gordinho de óculos, 31 anos, enfermeiro e estava a ouvir 2 pac. O inglês era fraquinho mas deu para manter uma conversa e ele era extremamente simpático, estava de folga!

Deixou-me no centro de Konstanz.

Cheguei, sã e salva, feliz e constipada.

22/10/2016

Marta Durán

Para vocês, família Aguiar

Em Lausanne fiquei em casa desta família, A Maria, o Serafim e adivinhem a Marta!

O Serafim é amigo de infância da Manuela ( a mãe do Gui, um amigo meu) parece confuso? Sim realmente é, mas é incrível como estes ”perfeitos estranhos” me acolheram, como família.

Estive dois dias neste confortável lar, tive a sorte de a Maria ser uma excelente cozinheira e me presentear com excelentes pratos, frango com natas e um prato que ainda hoje não sei dizer o nome, ah! e a bela da sobremesa de suspiro com uma espécie de queijo!

Durante o dia fui explorar a cidade, apanhei o autocarro ”grátis”, na verdade todos os transportes para mim são grátis,  sempre com um olho no burro e outro no cigano para não apanhar o pica!

Lausanne foi uma boa surpresa, gostei principalmente do lago e da natureza montanhosa envolta. Passei bastante tempo sentada a observar a ler e a escrever.

Foram dois dias muito bem passados em excelente companhia, aqui ganhei amigos para a vida, preocupados, atenciosos e sensatos!

Obrigada família Aguiar, não há palavras! Foi a melhor maneira de começar esta viagem.

21/10/2016

Marta Durán