Visitar a Jordânia em 10 dias

Jordânia a terra dos beduínos

A Jordânia era um país há muito desejado e visitá-lo em período de ramadão foi a cereja no topo do bolo! Foi o primeiro país do médio Oriente que visitei e por isso tinha bastante curiosidade. Só vos posso dizer que quero voltar por todas as experiências que passei. Leiam e tenho a certeza de que no fim quererão marcar uma viagem com destino à Jordânia.

Antes de irem para a Jordânia e caso estejam a pensar visitar Petra, aconselho-vos a adquirirem o Jordan Pass. Existem 3 tipos de Jordan Pass (https://www.jordanpass.jo/Contents/Prices.aspx). A diferença prende-se essencialmente com o número de dias que pretendem visitar Petra. Este Pass dá direito a entrar em mais de 40 atrações turísticas do país, tais como Petra, Jerash, a Cidadela de Amã ou o deserto de Wadi Rum, mas para além de tudo isto dá ainda isenção na taxa de visto de turista, para quem ficar na Jordânia no mínimo quatro dias e três noites. Ou seja, compensa em muito comprar o Pass, comparando com o preço do visto e a entrada em Petra pagos à parte.

1º dia – Amã

Chegámos a Amã por volta das 3h da manhã, por um atraso no vôo, o que fez com que víssemos a capital, deserta, contrastando com o corrupio que se fazia sentir no dia seguinte.

No primeiro dia na cidade começámos por explorar os Suks (zonas comerciais) e fomos até ao anfiteatro romano, bem no centro da cidade. O Teatro Romano é a principal atração da capital e dificilmente passa despercebido. De seguida subimos, a pé, para a Cidadela de Amã. A capital da Jordânia está cheia de obras de arte pintadas nos prédios, o que torna este passeio bastante agradável.

Sendo período de Ramadão, onde os muçulmanos praticam um ritual de jejum, todos os dias, abstendo-se de comer, beber, fumar ou ter relações sexuais desde que o sol nasce até que o sol se põe, foi mais difícil encontrar um local para almoçar. Tivemos de optar por almoçar num local mais turístico, com as janelas cobertas, para que não pudéssemos ser vistas, pelos muçulmanos, a comer durante o dia, no fundo é para que eles não cedam à tentação.

Para jantar escolhemos um restaurante local. Foi curioso testemunhar a espera pelas 19.15h, hora do pôr do sol, para poderem comer. Uma vez que estão muitas horas sem comer, as pessoas começam por beber um copo de água, para aconchegar o estômago para depois começarem finalmente a comer ao fim de tantas horas.

Amã de noite tem imensa vida, por isso aproveitem para passear pelas lojas, fumar shisha, como todos os locais fazem, ou simplesmente absorver os cheiros e os sons que se fazem sentir.

2º dia – Baptism Site of Jesus Christ, Mar Morto e Wadi AlMujib

Uma vez que queríamos conhecer várias cidades e só tínhamos 10 dias, optámos por alugar um carro (https://usavejo.com/) para podermos ter mais liberdade e autonomia, mas há quem faça a mesma viagem utilizando os transportes públicos e dizem que fica muito em conta.

Saímos de Amã bem cedo, para não apanharmos a hora de ponta e fomos visitar o local onde Jesus Cristo foi batizado, no rio Jordão, a fronteira natural entre Israel e a Jordânia e que desagua no mar morto. Pessoalmente acho que é um daqueles sítios “been there, done that”, mas para quem se identifica com este tipo de turismo, é um local com muita história e é interessante estar tão perto da fronteira de Israel, uma vez que a fronteira é literalmente no meio do riu a 2 braçadas do sítio onde estávamos.

Seguimos então para o mar morto, que, apesar do nome, não é mais do que um lago de água salgada. Tomar banho no mar morto tem muito que se lhe diga, porque apesar de ser interessante o facto de boiarmos mal entramos dentro de água, a água salgada não é agradável nos olhos ou na pele, assim que se sai da água. Existem praias privadas, que dão acesso a piscinas de água doce e chuveiros, mas nós acabámos por ir a uma praia pública, visto que o valor que se paga de entrada nas privadas, a meu ver, não compensa. Levámos, por isso, connosco um garrafão de água doce de 8L, para nos podermos passar por água, assim que saímos da água, que comprámos na capital no dia anterior especialmente para o efeito.

De seguida fomos para Wadi Al Mujib, fazer um trilho que dá pelo nome de “The Siq Trail” (http://wildjordan.com/eco-tourism-section/canyoning) que só está aberto entre os meses de Abril e Outubro, dependendo das condições atmosféricas e consiste num Canyon dentro de água. O que para quem gosta de aventura, é incrível. De notar que apenas os maiores de 18 anos podem fazer o percurso e o mesmo começa no Mujib Adventures Center. O percurso é mesmo muito giro, a entrada é paga e faz sentido, para que o espaço seja conservado e para que seja mais fácil controlar a quantidade de pessoas que está a fazer o trilho ao mesmo tempo.

Dica: Caso queiram ir mergulhar no mar morto, Wadi Al Mujib é o sítio ideal para poderem tirar o sal da pele depois do mergulho, visto que a água que irão percorrer vem de uma cascata de água doce, por isso optem por ir ao mar morto antes de irem fazer o Canyon. A praia pública fica a 2 min de carro da entrada do canyon.

3º e 4º dia – Petra

Petra é uma das 7 maravilhas do mundo moderno e é impensável ir à Jordânia e não passar 1 ou 2 dias nesta cidade, a 240 kms de Amã. A meu ver, o ideal são mesmo 2 dias, porque existem vários trilhos para conhecer e fazê-los todos num só dia pode ser extenuante. A zona da cidade arqueológica (https://visitpetra.jo/) tem 60 km2 e está aberta entre as 6h da manhã e as 18h da tarde (no inverno fecha às 16h). Existem ainda espetáculos noturnos junto ao Treasury (famosa imagem com as velas acesas) e ainda a possibilidade de dormirem numa das grutas, mas apenas o podem fazer acompanhados por um bedouin.

No primeiro dia fizemos o trilho principal, que começa no Visitor Center (entrada), passa pelo Siq (canyon) que tem uma extensão de 1Km e demora 20 min a percorrer, e que guia até ao Treasury (principal atração de Petra) e depois continuámos até ao Monestary. O percurso até ao Monestary tem 4,5 Kms e uma duração de 2h. Este último caminho tem mais de 850 escadas e há quem opte por subir de burro. Sinceramente não concordo com a utilização dos animais, a não ser em casos excecionais, pelo que recomendo que vão a pé, a subida é agradável e podem ir parando para descansar pelo meio. Vão abordar-vos imensas vezes a perguntar se querem ir de burro, ou de carruagem com cavalos, mas os animais são mantidos em condições desumanas com um calor insuportável, por isso, não suportem este tipo de turismo!

No regresso, optámos por fazer ainda mais um trilho “High Places of Sacrifice”, que é composto por mais incontáveis escadas, mas a vista que se tem no cimo do trilho compensa em muito a caminhada. O trilho tem uma extensão de 4 kms e uma duração de 2h30m.

No segundo dia voltámos mais cedo e fomos fazer o trilho “Royal Tombs” que termina num local com vista privilegiada para o Treasury. Acabámos por voltar a Petra para apanharmos a abertura do espaço e foi o melhor que fizemos. Ver Petra com menos turistas e menos calor é bem mais agradável.

Dica: Tentem chegar a Petra quando esta abre, visto que tem muito menos pessoas e as temperaturas que se fazem sentir são muito mais agradáveis.

5º dia – Wadi Rum

Seguimos para o deserto de Wadi Rum, também conhecido como “O vale da Lua” por causa das rochas que o caracterizam, onde conseguem encontrar estadias por menos de 1 EUR. Esta é uma área protegida, com uma extensão de 720 km2. A entrada em Wadi Rum está incluída no Jordan Pass e existem mais de 100 alojamentos. Cada alojamento tem várias tours pensadas com diferentes durações. Existem excursões de 2h, meio dia ou de dia inteiro. Fizemos uma tour de um dia, que começou às 10h00 da manhã e terminou com o pôr do sol. A tour incluía almoço e passou por vários pontos como Lawrence’s Spring, Red Sand Dune, Jebel Khazali Canyon, Small Bridge, Lawrence’s House from the movie Lawrence of Arabia, The Mushroom Rock, White Desert, Burdah Rock Bridge, andar no Abu Khashaba Canyon, Um Frouth Rock Arch. O preço da estadia está diretamente ligado com a obrigatoriedade de terem de fazer uma das tours.

Dica: Se fizerem uma tour, comparem os preços dos diferentes alojamentos, pois há preços para todas as carteiras e tentem negociar com quem vos vai fazer a tour para começarem a tour cedo e evitarem apanhar a hora de ponta dos turistas. Houve alturas em que quase não conseguimos aproveitar a imensidão do deserto pela quantidade de turistas que estavam a visitar as mesmas coisas, à mesma hora.

6º, 7º e 8º dia – Aqaba

A última grande aventura da Jordânia esperava-nos em Aqaba, uma cidade costeira, banhada pelo mar vermelho, de onde se vê o Egipto, Israel e ainda a Arábia Saudita. Tínhamos planeado fazer um batismo de mergulho, uma vez que Aqaba é bastante conhecida pelos spots debaixo de água, mas acabamos a fazer o PADI Open Water Course, com o Camel Dive Center e delirámos! Fizemos 4 mergulhos, para aprender as técnicas de mergulho e terminámos a visitar um navio que foi afundado a pedido de um rei da Jordânia para se tornar num coral, o Cedar Pride Shipwreck. Este navio está localizado junto a uma praia, a + de 25 metros de profundidade e tem um comprimento de 70 metros. A minha dúvida, enquanto fazia mergulho era “Como é que não fiz isto mais cedo?”

9º dia – Madaba, Jerash

Para terminar a visita este país, visitamos ainda as cidades de Madaba e Jerash, a primeira conhecida pelos seus mosaicos e pela quantidade de igrejas. Esta cidade é um excelente exemplo de tolerância étnica e religiosa, porque os seus habitantes são de etnia árabe e de religião muçulmana, mas existe ainda uma grande comunidade cristã com tradição grego-ortodoxa. A segunda cidade onde fomos foi, Jerash, conhecida como a “Pompéia da Ásia”, é o melhor exemplo de uma cidade do império romano no Oriente Médio.

Alimentação

A Jordânia é um país surpreendente em termos de riqueza ao nível da alimentação. Para quem é vegetariano como eu, é o paraíso. Como aperitivos comemos muito Hummus, Baba ghanouj e saladas de vários tipos. Estes pratos vêm sempre acompanhados pelo famoso pão pita e são ótimos para partilhar em qualquer mesa.

Como pratos principais pedíamos muitas vezes Falafel ou Galayet Bandora, que é tomate frito com cebola e alho numa panela, acompanhados com arroz ou o saladas.

E para sobremesas, depende das cidades, mas geralmente havia sempre Baklava Halawat al-jibneh (massa fofa recheada com queijo cremoso), Baqlaweh (massa folhada em camadas preenchidas com nozes e encharcada de mel). Por ser ramadão existia ainda uma sobremesa que adoça esta época, de nome Qatayef. Babem-se com as fotos!

Preços

Os preços variam muito consoante a cidade seja considerada mais ou menos turística, mas não é um país que se possa dizer que é necessariamente barato.

Gastámos em média 10 EUR por dia em refeições, mas é importante notar que facilmente gastaríamos mais, se tivéssemos comido sempre por nossa conta.

Uma vez que fizemos couchsurfing, em Petra e Aqaba, acabámos por poupar também no valor gasto em estadia, tendo em 9 noites, gasto, ao todo, 25 EUR.

Em resumo, a nossa viagem, com vôo, estadia, alimentação, curso de mergulho, Jordan Pass e seguro teve um custo de 1.100 EUR com o preço do mergulho incluído, que rondou os 400 EUR..

Dica 1: Como não podia deixar de ser, contei com o apoio do seguro IATI que me acompanha em todas as viagens. É sempre importante termos seguro, principalmente por causa dos atrasos nos voos, cancelamentos de viagens, excursões, ou mesmo para qualquer eventualidade que aconteça. Sentimo-nos sempre mais protegidos se soubermos que temos quem nos ajude quando estamos fora.

Dica 2: Quando viajam para fora do país, especialmente para países fora da zona euro, levem sempre Revolut, para evitar que vos sejam cobradas taxas de câmbio ou taxas associadas ao levantamento.

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