Desde Manzanares até Estremoz
Após 2 boleias cheguei a um posto de descanso em Cidade Real onde fui em busca de camiões de matrícula Portuguesa!
Eis que encontrei um, e que grande sorte… O Sr. João era para ter saído às 9h mas decidiu partir mais tarde, na verdade ele ficou à minha espera!
Foram 4h e muito de viagem com o Sr. João, muita conversa, muito alcatrão e buracos. As estradas nacionais espanholas estão numa lástima!
Estávamos ambos ansiosos por chegar a território nacional para ouvir a RFM e beber um belo café Português já que o Espanhol é apenas água suja! Entrámos em grande a ouvir Quim Barreiros.

Obrigada Sr. João pela simpatia e pela enorme ajuda! Até uma próxima!
Parei em Estremoz de onde vêm parte das minhas raízes, a minha mãe nasceu cá e os meus falecidos avós viveram aqui. É um lugar muito especial no meu coração e fez-me todo o sentido parar aqui antes de voltar a casa.
Na verdade, acho que por meros segundos acreditava que iria bater à porta e eles estariam lá de braços abertos e com um sorriso para me receber, acredito sempre. Mal cheguei fui visita-los, dói olhar para uma campa e para 2 fotografias. Como é que é possível? O tempo passa mas não os apaga, não atenua a dor. Falei com eles desabafei, chorei e o tempo que ali estive foi aconchegante . Era eu e eles. A relembrar momentos.
”Vejam como estou crescida, vejam como já venho sozinha visitar-vos.”
Fiz o caminho que fazia sempre com a avó até casa, parei nos mesmos sítios, os cheiros são os mesmos, está tudo igual…
Não tinha onde dormir, mas já tinha pensado. Fui bater à porta da vizinha Odete, quando era criança passei muitas tardes a brincar com o seu cão bolinhas e sabia que não me iria deixar na rua.
Bati, abriu a porta. Abracei-a e desatei a chorar. É difícil, é tão difícil voltar aqui, a esta rua e não os ter…
Odete, acabei de chegar de 2 meses de viagem posso ficar aqui a dormir?
Claro minha filha
E assim foi, uma última dormida antes de chegar a casa. Recarreguei energias e enchi a barriguinha com uma bela sopinha e pãozinho alentejano, já estava em casa.


Pela manhã seguinte já estava a pé às 7h, e às 9h estava na estrada a pedir boleia.
Fui até à Nacional 4 e esperei.
A primeira boleia, foi o André das Pedras que vive em Montemor! Deixou-me na entrada da auto-estrada para Lisboa, um rapaz muito simpático.
Esperei nem 10 minutos e pára um camião que ia para Lisboa, o camionista era Espanhol, ri-me durante a viagem toda ainda parámos em Vendas Novas e pagou-me um cafézinho e um pastel de nata. Deixou-me na bomba antes da ponte Vasco da Gama, aí apanhei uma carrinha que me deixou na 2ª circular e depois para terminar um senhor Nigeriano que me deixou em Alfragide.
Já estava em Lisboa, mas que estranho. De Alfragide fui até casa a pé, 1 hora a andar já se torna fácil… Chegar a casa e não ter chave! O que vale é que tenho sempre amigos para me ajudarem.
Bem e agora estou de volta, está tudo igual… ainda não aterrei.
Perguntam-me agora se vou continuar a escrever? Sim, continuarei em breve há mais novidades e sempre que me recordar de alguma aventura ou algum desabafo é aqui que me vou expressar.
Feliz Natal e Boas Festas
18/12/2016
Marta Durán


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